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ENTREVISTAS  
 
 

RÉGIS ENTREVISTADO POR...
• Livio Oliveira
• José Ángel Leyva
• Dênia Silveira
• Revista Teresa
• O Bonde da alegria dos escritores
• Caderno Cultura, O Estado de S.Paulo
• Carlos William Leite
• Reynaldo Jiménez
• Ray Bianchi
• José Luis García Fernández
• Carlos Costa
• Jardel Dias Cavalcanti
• Enquete Ilustrada
• Rogério Eduardo Alves
• Matias Mariani e Paulo Ferraz
• Carlos Adriano
• Renata Requião

RÉGIS ENTREVISTA...
• Arkadii Dragomoshchenko
• Charles Bernstein
• Outra conversa com Douglas Messerli
• Michael Palmer e Charles Bernstein
• Marjorie Perloff
• Douglas Messerli
• Décio Pignatari
Nanni Balestrini
• Robert Creeley (com João Almino)
• Jerome Rothenberg
• João Cabral de Melo Neto
• Fernando Henrique Cardoso

 

O BONDE DA ALEGRIA DOS ESCRITORES
Jornal Opção / Goiás
Março de 2007 

 

Você aceitaria o convite de participar do “bonde da alegria”, que enviará prosadores para muitos dos lugares do mundo, com farto dinheiro público? Por quê? 

RB: Não, porque se trata exatamente de dinheiro público e não houve um concurso; se houvesse um concurso, com regras claras, e eu o disputasse e vencesse, tudo certo. Parece-me mais um trem da alegria ridículo: nossos “gênios” viajarão ao redor do mundo para escrever nada mais nada menos do que quadradinhas "histórias de amor". Bastava assistir às novelas das 18:00 e das 19:00 h da Globo! Que vergonha cívica e literária, de corar “sanguessugas”! Há uma repetição do comportamento dos políticos! Sérgio Sant'anna e Reinaldo Moraes são bons prosadores. Lamento pelo passado deles. Entre os outros, há um muito conhecido: Bernardo Carvalho ; quase todos os demais são neófitos, novéis, ou canastrões.... 

Cultura em geral, e literatura em particular, deve ser subsidiada pelo Estado, ou deve dar conta do recado sozinha? 

RB: O Ministério da Cultura, sob a batuta de Gilberto Gil, nada fez pelas artes de verdade em quatro anos de gestão. Mais do que verbas, as artes (e a literatura) precisam da criação de redes e circuitos integrados no Brasil. A Secretaria de Cultura de São Paulo é historicamente inoperante ; vejamos como será a gestão de João Sayad. Um exemplo estadual: esta Secretaria vem mantendo a Casa das Rosas (numa parceria público/privada), onde está a importante biblioteca de Haroldo de Campos, sem , no entanto, qualquer visada técnica de preservação de seus livros; os livros dele apodrecem por lá e as atividades "literárias", promovidas por um tal de Sr. Barbosa na Casa, são patéticas. Vá ao website da Casa das Rosas: ele foi feito para promover o Sr. Barbosa! O Sayad (sei que ele é amigo da mãe do Sr. Barbosa, Ana Mae Barbosa mas isto não pode influir em gestão pública), o Sayad que é um homem sério, deveria passar a Casa das Rosas à UNICAMP, que tem o melhor arquivo especializado em manutenção de livros e papéis de escritores, o CEDAE.  Sayad deveria, creio, fazer da Casa das Rosas uma espécie de Centro Cultural da UNICAMP na cidade de São Paulo e lá montar o arquivo dos escritores desta cidade: “... Mas viva o Ideal! God save the poetry! // -- Abade Liszt da minha filha monja, / na Cadilac mansa e glauca da ilusão, / passa o Oswald de Andrade / mariscando gênios entre a multidão!... ...” (A Caçada, Paulicea Desvairada, Mário de Andrade) A Secretaria de Cultura do Município de São Paulo: difícil perceber que ela existe, de modo consistente, em termos literários.

 

 

 

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