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TEXTOS CRÍTICOS  
 

Repto incomum
Stein: Vanguarda e civilização
Identidades em conflito: 12 poetas catalães
Fábulas poéticas para os olhares de Nunca
Poesia nazi e o G8
Os cus de Judas
Crônicas da Era Bush, de Eliot Weinberger
Sexo e gênero em Parque industrial, de Pagú
Novelas, de Beckett: à esquerda da morte
Inventário de cicatrizes, de Alex Polari de Alverga
Julgamento de Ceausescu lembra obra de Ionesco
Murilo, Cabral e vice-versa
Um lugar para a voz do poeta
Dilatáveis desafiam a mídia
León Ferrari versus Gregor Samsa
Sobre a poesia ortônima de Fernando Pessoa
As Obras-primas que poucos leram
Quatro Estrelas: Os Dogmáticos da Parvoíce
Botelho de Oliveira: um coadjuvante de Gregório e Vieira
Cultura e espetáculo em "A moda e o novo homem", de Flávio de Carvalho
• A morte de Bob Creeley
• Sobre Ungaretti / Daquela estrela à outra
• A Sibila de John Shade
• Ruína do próprio presente
• Poetas franceses da Renascença
• Sobre Eucanaã Ferraz
• Sobre Laís Corrêa de Araújo
• Sobre Jacques Roubaud
• Sobre Décio Pignatari
• Nejar: o aluno de Cervantes
• Boa noite, Paulicea, de Eduardo Muylaert
• Meu livro predileto
• Algumas tensões na figura de Haroldo de Campos
• A Geléia Geral do Estado na área da cultura
• O pesadelo do poder de civilização: a utopia brasileira de Mario Faustino
• A dança no topo do vulcão
• A vanguarda que se encarnou na história
• As sibilas de Henriqueta Lisboa
• Murilo Mendes e a poesia brasileira de hoje
• Mário Faustino
• Reverso: Eros, montagem e inovação em Mário Faustino
• Um lugar para José Paulo Paes
• A antropofagia de Tarsila do Amaral, Raul Bopp e Oswald de Andrade: uma estratégia brasileira para cultura e poesia num mundo globalizado
• Flávio de Carvalho: ambição de sentidos nos tristes trópicos
• Nuno Ramos: literalidade, inovação e renovação
• A função da poesia
• A Querela do Brasil
• O Olho da Consciência
• Ensaio sobre Timor Leste
• Tantas máscaras
• The displacement of the "scholastic": new Brazilian poetry of invention
• Borges: o poético e a poesia
• Nota sobre Drummond
• Esplendor & sepultura
• Bakhtin, o corpo, Creeley e Girondo
• O retrato de Fabius Naso
• Estado actual e creativo da lingua portuguesa en Brasil
• Entrega de Macau é metáfora da língua portuguesa ameaçada
• Despoesia, Augusto de Campos, 1994
• Crisantempo
• Joan Brossa: um diálogo com João Cabral
• Poesia completa de Raul Bopp
• Meu tio Roseno, a cavalo, de Wilson Bueno
• Kaiko: um pouco de Leminski
• A idéia totalitária de "canône"
• Valente
• Sobre Júlio Bressane
• O velho e os lobos de Kristeva

 

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CRISANTEMPO

 

Haroldo de Campos, uma das figuras centrais do século 20 brasileiro, vem de receber o Prêmio Octavio Paz de poesia, no México, e ganhar o Prêmio Jabuti com seu livro "Crisantempo", de 1998 (ele recebe a estatueta hoje, em São Paulo). O recebimento do Prêmio Paz o lança como um dos que podem ser lembrados para o Nobel.

"Crisantempo" é sequência de seu livro anterior (para mim, até aqui, seu ponto mais alto), "A Educação dos Cinco Sentidos" (1985). E reexplora temas recorrentes em toda sua obra : leituras, metalinguagem e viagens.O verso curto é, igualmente, em "Crisantempo", retomada direta das técnicas patenteadas por João Cabral de Melo Neto em "Psicologia da Composição" e "Antiode", ambos de 1947. Cabral : "...Venha, mais fácil e/ portátil na memória,/ o poema, flor no/ colete da lembrança...".

Os poemas de "Crisantempo" se estruturam como comentários, ora simplesmente anotando ou falando sobre pessoas, situações e coisas, ora analisando e criticando, inscrevendo-se, nessa última hipótese, as peças mais bem-realizadas, como, em "Yugen", o belo "ideoplastia" : "Carmen/ faz um gesto/ de porcela/ ming /o universo/ pára/ pacificado/ na curva do seu/ dedo/ mínimo". No caso, à exploração da cena japonesa, se acrescenta um elemento: o das canções de amor e amigo, da tradição galego-portuguesa. Na primeira secção do livro, há um texto também que incluiria entre os melhores, pois nos oferece o Haroldo despojado da erudição e teses militantes, que, tantas vezes, preenchem, apenas, espaço em seus poemas. É o à la William Carlos Williams "Paisagem mínima": "Um jardineiro/ corcunda/ regando hortaliças/ _ nascente do verde/ no quintal/ solar".

Os momentos menos felizes de "Crisantempo" são aqueles nos quais esse poeta, que elegeu o multiculturalismo, vê o manifesto no patente, como "sky-scrapers" e "taxistas búlgaros", em Nova York, entre muitos outros exemplos. Ou em peças circunstanciais como "Satiricália" (Titãs) ou "Bufonaria Boteriana", onde trocadilhos permanecem, ao contrário do efeito de choque almejado, somente trocadilhos ingênuos: "Pomposos policiais policiosos".

Mas em "Crisantempo" há a voz do Haroldo mais contundente, que é o poeta mais denso de sua geração. Leia-se "Oportet", poemas qoheléticos, "A Revolta dos Objetos", "Rengaem Nova York", "Yugen" e os poemas de Israel. Concluo com trecho de "Língua Morta", que nos dá notícia da situação da poesia : "...O tempo copy desk tornou-me a escrita fosca/ desconstelou-me as letras amarela/ conjuração de alamaço decadente/ impossível de ler na lauda pardacenta/ um poema este poema em língua morta".

Régis Bonvicino

 

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